Ex-diretor de futebol da SER Panambi explica saída do clube

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Samir, com a taça de vice-campeão sub-19. Foto: Mateus Silveira Albuquerque

O quadro “Geral 690” do programa Por Dentro do Esporte – da Rádio Progresso de Ijuí – ouviu Samir Beituni. Ele foi diretor de futebol da SER Panambi na Divisão de Acesso 2016. Contudo, algum tempo depois do final do campeonato, anunciou seu desligamento do clube. Nesta entrevista ele explicou os motivos da decisão. Beituni contou que o principal motivo foi o descontentamento com a interrupção do trabalho com a categoria sub-19, um projeto capitaneado por ele e pelo técnico Lúcio Collet.

“Era um projeto bonito. Vínhamos de dois anos de trabalho e com um time praticamente pronto. Então a SER Panambi era postulante a título esse ano. Eu sou um cara que trabalha muito com o lado social, com a garotada. Acho que a SER Panambi se desviou.”

Para Samir Beituni, ficar sobrevivendo de patrocínio no futebol profissional é desgastante e inviável.

“Nunca tínhamos vendido um jogador. Ano passado vendemos um por 50 mil e ainda ficamos com uma porcentagem dele. Isso já valeu todo aquele ano de trabalho. Ficar batendo de porta em porta pedindo recurso, os caras [empresários] estão cansados disso aí. Então vejo que a formação de atletas é a grande jogada.”

A importância da base é comum a todos que trabalham com o futebol. Apesar disso, poucos clubes do interior gaúcho mantém um trabalho firme com categorias inferiores. Na opinião do ex-dirigente, o problema da gestão é que os clubes não pensam no clube como uma empresa.

“Eles pegam o dinheiro e gastam todo no futebol profissional. Mas tem que se pensar como numa empresa, pensar e investir em todos os setores. O clube, como numa empresa, não pode viver de patrocínio. Tem que ter um produto para vender. Qual é o produto do clube? É o atleta. Agora, os clubes gastam 1 milhão [de reais] no futebol profissional quando com 100 mil [reais] eles manteriam uma categoria de base.”

Samir também não descartou trabalhar em outro clube, embora admita que não pensa em fazer do futebol sua carreira profissional. Em sequência, disse que o futuro do Panambi é difícil. Para ele, o time saiu da Divisão de Acesso muito enfraquecido.

“Aqui tem outro problema. As pessoas confundem a política com o futebol porque o vice-prefeito é dirigente. Quando mistura futebol e política, a política acaba com o clube. Se misturar, o clube corre risco de morrer. E a SER Panambi corre risco de morrer. O futuro é muito negro. Porque as pessoas que estavam trabalhando pelo futuro do clube desanimaram.”

Na despedida, incentivou o EC São Luiz a investir em categorias de base. Samir Beituni acredita que se fizer um trabalho sério, o rubro ijuiense pode virar a referência no futebol do interior gaúcho.

Ouça a entrevista na íntegra

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